Bem Estar, Decoração

Por um lar mais feliz

A holandesa Lidewij Edelkoort, apesar do nome complicado, veio pra simplificar a felicidade. Sabemos que ela está nas pequenas coisas, no simples, no comum, nos detalhes do dia a dia, mas nossa cabeça fica tão cheia que pensar em rotina já desanima. Isso porque não sabemos absorver tudo que ela pode nos oferecer.

Li (a holandesa) estuda o comportamento de consumo há 20 anos, atenta como ninguém: nada escapa do seu crivo, nem o design, a moda, a arquitetura, as culturas tradicionais, as mudanças sociais, os movimentos políticos…ela vai a fundo para saber quais são os desejos que nos movem quando fazemos escolhas. Os resultados de suas pesquisas são publicados na revista semestral Bloom, em cadernos que inspiram, convidam à criação, despertam os instintos que normalmente são esquecidos pelo caminho da vida.

Eis que Li, no outono parisiese, abriu seu coração encadernado para nos apresentar (ou reapresentar) alguns conceitos batizados de “culturais” que certamente deixam nossa vida melhor, se nós deixarmos eles ganharem vida:

DEIXE A LUZ ENTRAR
A janela traz o mundo para dentro de casa, ela emoldura a paisagem e funciona como uma ponte entre o que está dentro e o que fica fora. Quando pensar em cortinas, não deseje isolamento.
Aqueles modelos de cortinas pesadas, aveludadas, só são bem vistos quando fazem a separação de ambientes no interior da casa. Na janela, as cortinas são cúmplices da luz, então escolha a fibra natural, aquela dançante, que embala os sons do vento.
Deixe o sol da manhã tocar sua pele e sinta a alegria do seu corpo em estar vivo.



QUEM AMA, CUIDA
Você é parte de um todo, de uma grande família conhecida como raça humana. Pense nos seus queridos, nos amigos, na necessidade que cada ser carrega de trocar experiências e entrar em contato com outros. Não deixe nada passar, não negligencie o contato e a conexão, ao contrário, sublime-os. Valorize a amizade entre os espíritos que dividem a vida contigo, humanos e animais, apaixone-se, compartilhe.




O CAMINHO DO BEM 
Antigamente os japoneses cultivavam uma estética baseada na aceitação da transcendência e do eternamente incacabado, é a chamada filosofia wabi-sabi, que está no ritual do chá, nos arranjos de ikebana, no exercício diário e infindável de manter um jardim de pedrinhas e areia. A mensagem é que o caminho é bem mais importante que o objetivo final; o ritual sobressai ao resultado, até mesmo porque, no fundo, a gente nunca chega lá.
Aceite e deixe fazer parte da sua vida a assimetria, a instabilidade. Um ser que está por se completar a cada dia, mas que nunca estará completo. O objetivo é estar feliz.



EM ORDEM
Nossos espaços de convivência estão diminuindo de tamanho com o passar do tempo, mas isso não chega nem perto de ser um problema. Em menos cômodos há mais convivência, e tem de haver mais organização. Livre-se de tudo que for supérfluo ou não fizer mais parte do seu momento. Jogue fora os entulhos da sua casa e da sua vida. Arquive as memórias, recicle, crie nichos, use gavetas, classifique o essencial e faça desse ritual de organização um rito também de purificação.
Celebre o vazio, ele é um convite à possibilidades.


ARTESANATO
Desafie suas mãos, dê liberdade para que elas possam criar à vontade, deixe-as livre para buscar habilidades desconhecidas. Não fique imaginando que um dia, quando se aposentar, vai ter um grande jardim, plantado por você; ou então que vai pintar quadros no ateliê que um dia foi quartinho de bagunça… faça agora, usar as habilidades das mãos dá sentido à vida. Crie caminhos de mesa, pinturas abstratas, faça um cachecol, projete e construa um móvel. Crie, crie, crie.



VERDE
Aprenda com as plantas, elas vivem o momento presente, porque amanhã podem estar murchas. Não economize experimentações.Aceite o eterno ciclo dos dias, das semanas, dos anos, da vida e da morte sem revolta, cada fase é um novo recomeço. Lembre-se que sempre é possível plantar de novo, mudar o adubo, arar a terra. Os budistas dizem que, se pudéssemos perceber claramente o milagre que representa uma simples flor, nossa vida mudaria completamente. Creia em uma vida mais saudável e mais perto do natural, onde as plantas são seres vivos, não objetos decorativos.



RAÍZES DE CÁ
Queremos ter mobilidade mas nos sentir pertencente a algum lugar, a alguem, a algumas coisas. É urgente mudar de casa, de cidade, de estilo, de amigos… o tal sonho contemporâneo de liberdade. Mas ser verdeiramente livre é ser simples, dormir numa rede, não seguir tendências da moda, desenvolver uma relação mais profunda com os objetos que estão em seu entorno, buscar o essencial.



ASSE O PÃO
Ah, o relevo da casca, os crecs do pão de desfazendo na sua boca, o aroma quentinho, a simplicidade do sabor. Quem não ama pão? Quem não é convidado a saborea-lo assim que sente aquele cheirinho da padaria que invade as ruas? Faça desse o cheiro das suas manhãs também, asse um pão em casa, desperte para os aromas da vida.
Pão é essencial, assim como nossa paixão pelas manhãs, pelas tardes e pelas noites. É impossível ser feliz sem cultivar a instigante e insaciável fome. De pão. De viver.  


EM CASA
Viajar é uma delícia, mas não há nada como voltar para casa. Para a sua cama, o seu travesseiro, para seus livros que repousam no criado, para os quadros que te olham sem cansar, para as suas pessoas queridas. É dentro de casa que você anda de pijamas, que você bebe leite direto da garrafa, que você almoça a hora que quiser e onde quiser. É na sua casa que você tem as melhores noites de sono, e os melhores sonhos. Por falar em sonhos, qual era seu sonho de criança? Quando tudo que você mais queria era uma casa na árvore… o que você levaria para lá? Só o que fosse realmente importante, não é? É assim também que sua casa deve ser, cheia de coisas suas, onde você se reconhece em todos os cantos.




MISTURA DE RAÇAS
Artefatos de povos diferentes, de épocas distintas, tudo conta uma história própria. Conectar essa culturas é conectar também histórias que escrevem a sua, é celebrar o que há de comum em toda a humanidade, concetando diferentes tradições. Li conta que a metáfora perfeita das conexões que existem entre as culturas é o ikat, uma técnica de tecelagem feita a partir de fios retorcidos que data de antes de os europeus chegarem às Américas, e é impossível identificar onde e quando reside sua origem. Então seja um ponto de ligação entre as conexões invisíveis dos povos, seja através de uma tapeçaria árabe, de um chapéu mexicano, de um cocar de uma tribo brasileira ou de uma louça chinesa. Conecte.

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